Após impasse com o MPE, escolas de Uberlândia continuam ocupadas

Pais, alunos, professores e funcionários das escolas ocupadas em Uberlândia foram até as unidades...

Pais, alunos, professores e funcionários das escolas ocupadas em Uberlândia foram até as unidades de ensino, na manhã desta segunda-feira (7), por acreditar que as aulas seriam retomadas. No entanto, todos os prédios continuam ocupados por tempo indeterminado, segundo disseram alguns líderes do movimento. O promotor da Infância e da Juventude, Jadir Cirqueira, disse ao CORREIO de Uberlândia que anunciará as próximas medidas adotadas pelo Ministério Público em relação ao movimento ainda nesta tarde.

Na quinta-feira (3), o promotor havia orientado que a comunidade acadêmica fosse até as escolas nesta segunda-feira, pois seria garantido o livre acesso de todos. Depois, na sexta-feira (4), o promotor afirmou ter sido vítima de ameaças por parte de alunos e reconsiderou o pedido, dizendo que, por segurança, não seria prudente a tentativa pacífica de volta às aulas. Nesta manhã, os prédios continuaram ocupados e contaram com a visita de conselheiros tutelares para dialogar com os jovens.

Na Escola Estadual da Cidade Industrial, no bairro Distrito Industrial, zona norte, ocupada há uma semana, os professores e funcionários foram impedidos de entrar na unidade nesta manhã. “A gente tem entrado todos os dias, mas hoje não deixaram. Trabalho com o financeiro, preciso pagar as contas da escola”, afirmou a servidora Elisana Saraiva Meira.

“Os alunos têm o direito de se manifestar, mas esse direito acaba quando eles tiram o nosso, que é o de ir e vir. Existem muitos alunos que querem assistir à aula e nós queremos trabalhar”, afirmou a bibliotecária Ana Paula Gomes.

A aluna do segundo ano Rayane Farias Almeida, da mesma escola, achou que as atividades voltariam e foi até a porta da instituição. “É triste vir aqui à toa. Estou vendo isso tudo como uma grande perda de tempo. Já faz uma semana que estamos sem aula e muita coisa está acumulando”, afirmou a estudante.

O promotor da Infância e da Juventude, Jadir Cirqueira, ratificou, nesta manhã, que a situação é gravíssima e que foi vítima de hostilidade e ameaças. “O movimento se perdeu completamente e parece não ter mais nenhum sentido”, disse. Ele também afirmou que vai publicar uma nota à imprensa para esclarecer os próximos passos do Ministério Público.

Sem entrevistas

Em quatro escolas visitadas pelo CORREIO nesta segunda-feira, nenhum ocupante quis conceder entrevistas ou permitir o acesso da reportagem ao interior dos prédios. Informalmente, os manifestantes se limitaram a dizer que o movimento é pacífico e organizado. Os ocupantes também disseram que repudiam a fala do promotor, pois, em suas palavras, não houve ameaças ou hostilidades como relatou o membro do Ministério Público.

Pais levam os filhos às escolas

Na Escola Estadual Sérgio de Freitas Pacheco, no bairro Tibery, zona leste, alguns pais de alunos foram até a porta da escola saber se as aulas haviam voltado. O advogado Henderson Miranda, pai de uma aluna do 6º ano, disse que a ocupação não representa a maioria dos alunos. “Eles (ocupantes) me disseram que é direito deles se manifestarem. Respondi que não é direito deles impedir a aula de minha filha. Para representar a escola, pela democracia, devia ser mais de 50% dos alunos, mas são pouquíssimos”, afirmou.

Para a vendedora Maria de Nazaré Feitosa, mãe de um aluno do 6º na mesma instituição, a situação é preocupante. “Está prejudicando demais. Meu filho está parado, sem estudar, e ele é uma criança. Preciso trabalhar e não tem que fica com ele em casa”, afirmou.

Fonte Correio de Uberlândia