IBGE aponta importância da estrutura familiar na educação

A aposentada Nilva Menezes ficou viúva quando o caçula era um adolescente de 14 anos. Só pensava...

A aposentada Nilva Menezes ficou viúva quando o caçula era um adolescente de 14 anos. Só pensava na educação dele. “ A gente tem essa preocupação de ver o filho bem, empregado, se sustentando”, conta a mãe.

" Minha mãe acompanhava a agenda, conferia a prova, o teste, as vezes ia no colégio, tirava o boletim. O instinto maternal tem um pouco disso", diz Rodrigo Menezes.

A pesquisa do IBGE, feita em 2014, mostra que as mães se saem bem nessa função solitária. Os filhos que vivem só com a mãe, aos 15 anos, têm um desempenho melhor na educação do que os que vivem só com o pai.

“A estrutura familiar parece ter uma importântia muito grande, em relação tanto ao nível de instrução dos filhos, quanto a taxa de alfabetização", explica a pesquisadora do IBGE, Flávia Vinhaes.

Além do peso da estrutura familiar a pesquisa do IBGE também traz a influência da escolaridade dos pais no rendimento dos filhos. Os números revelam também que, em uma parcela grande da população, a dos trabalhadores agrícolas, a labuta dos filhos começa mais cedo do que no restante das profissões.

Entre os que começam a trabalhar antes dos 13 anos, os filhos de agricultores são maioria.
Solange só tinha 12 e já era babá. Depois, também virou agricultora como os pais e saiu da escola.

Dos quatro filhos, apenas o mais novo seguiu estudando e já foi mais longe do que a mãe. “É orgulho ver os filhos da gente estudados, né? Fazendo o que a gente não pode fazer”, diz a dona de casa Solange Bezerra.

Pelos dados de 2014, mais da metade dos filhos (51,4%) conseguiram uma ocupação melhor do que a da mãe. E 47,4% melhoraram em relação ao pai.

A dona de casa, Nilva, tem motivos para comemorar o diploma do filho, em Relações Internacionais: “É esse o sentimento, de missão cumprida”.